Quanto tempo leva para elaborar um contrato empresarial?

Um contrato empresarial sob medida costuma ficar pronto entre cinco e quinze dias úteis, contados a partir do momento em que o escritório recebe as informações completas do negócio. Documentos padronizados, como uma prestação de serviço simples, saem em dois a cinco dias. Estruturas com sociedade, participação em receita ou propriedade intelectual dividida levam de vinte a trinta dias, e boa parte desse tempo não é redação, é negociação entre as partes.

Prazos por tipo de documento

O prazo varia menos pelo tamanho do contrato e mais pela quantidade de decisões que ainda não foram tomadas. Um contrato de dez páginas com escopo claro sai mais rápido que um de quatro páginas em que ninguém definiu o que acontece se o cliente cancelar no meio.

DocumentoPrazo típico de primeira minutaO que puxa o prazo para cima
Prestação de serviço recorrente com escopo definido2 a 5 dias úteisEscopo variável, múltiplos entregáveis, SLA detalhado
Termos de uso e política de privacidade de site ou app5 a 10 dias úteisFluxo de dados não mapeado, integrações com terceiros, público infantil
Contrato de agência com cliente, incluindo mídia paga5 a 10 dias úteisVerba de mídia, titularidade de criativo, acesso a contas de anúncio
Contrato com creator ou influenciador4 a 8 dias úteisExclusividade, uso de imagem, prazo de veiculação, entrega por campanha
Licença de software ou contrato SaaS7 a 15 dias úteisNíveis de serviço, dados do cliente, limitação de responsabilidade
Coprodução de infoproduto ou parceria com divisão de receita10 a 20 dias úteisRateio, gestão de reembolso, titularidade do conteúdo, saída de sócio
Acordo de sócios ou entrada de investidor20 a 30 dias úteisVesting, governança, cláusulas de saída, negociação entre partes

Esses números se referem à primeira minuta pronta para leitura do cliente. Da minuta até a assinatura entra um segundo tempo, que depende de quantas rodadas de ajuste acontecem e de quanto tempo a outra parte demora para responder. É comum um contrato ficar pronto em uma semana e ser assinado só três semanas depois porque o jurídico do outro lado entrou de férias.

Etapas de elaboração de contrato empresarial e análise de risco

O que consome o prazo de verdade

Quem nunca acompanhou a elaboração de um contrato imagina que o trabalho é escrever. Escrever é a menor parte. O tempo se distribui mais ou menos assim.

Entender o negócio antes de escrever qualquer cláusula

Contrato é a descrição jurídica de um modelo de operação. Para redigir, é preciso saber como a receita entra, quem entrega o quê, o que acontece quando o cliente atrasa, qual promessa foi feita na proposta comercial, quem é dono do material produzido, quais dados circulam e o que já deu errado antes com outro cliente.

Essa etapa costuma levar de uma a três horas de conversa mais a leitura de material de apoio. Quando ela é pulada, o resultado é um documento genérico que não protege ninguém. O escritório recebe com frequência pedidos de revisão de contratos que foram baixados prontos e nunca descreveram o serviço que a empresa realmente presta.

Decidir o que fazer com os pontos que ninguém pensou

A maior parte do tempo de um contrato bem feito é gasta em perguntas desconfortáveis. Se o cliente sumir no meio do projeto, ele paga o quê? Se o resultado prometido não vier, cabe devolução? Quem responde se a campanha for reprovada pela plataforma? Se a sociedade acabar, quem fica com a marca, com a lista de e-mails e com o funil?

Essas respostas não estão no briefing porque quase ninguém pensou nelas antes. Elas precisam ser construídas com o cliente, e é aí que uma semana vira duas. Vale o tempo: cada uma dessas perguntas respondida no papel é um litígio que não acontece.

Redigir e revisar

A redação em si de um contrato de complexidade média leva de quatro a oito horas de trabalho concentrado. Depois vem a revisão, que é onde se caçam contradições entre cláusulas, remissões erradas, prazos que não fecham e obrigações sem consequência. Cláusula sem penalidade é recomendação, não obrigação.

Negociar com a outra parte

Este é o trecho mais imprevisível e o único que não está sob controle de quem redige. Um contrato com uma agência pequena se resolve em dois dias. O mesmo contrato com uma empresa que tem jurídico interno e política de compliance pode levar seis semanas e quatro rodadas de marcação de alterações.

Por que o contrato de 24 horas sai caro

Existe contrato que fica pronto em um dia. É o contrato que já existia, escrito para outra empresa, com o nome trocado. Ele cumpre o papel de fazer alguém assinar alguma coisa, e falha exatamente quando é chamado a funcionar.

Os problemas mais comuns em documento feito às pressas seguem um padrão previsível:

  • Escopo aberto. O contrato diz “serviços de marketing digital” sem listar entregáveis, quantidades e limites de revisão. Quando o cliente pede o dobro do combinado, não existe base para cobrar mais.
  • Propriedade intelectual esquecida. Sem cláusula expressa de cessão, o criativo, o código e o material produzido continuam com quem os criou. A Lei 9.610/1998 exige que a cessão de direitos patrimoniais de autor seja feita por escrito e interpreta restritivamente o que não estiver claro no contrato.
  • Rescisão sem regra. Não define aviso prévio, não trata do que já foi entregue, não diz o que acontece com o que foi pago adiantado.
  • Nenhuma palavra sobre dados pessoais. A LGPD, Lei 13.709/2018, atribui responsabilidades a quem trata dados por conta de outra empresa. Contrato silente não elimina a responsabilidade, apenas deixa de organizá-la entre as partes.
  • Foro e resolução de conflito no automático. Cláusula copiada aponta comarca que não interessa a ninguém e ignora se faz sentido prever mediação antes de processo.
  • Sem as duas testemunhas. O Código de Processo Civil trata o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas como título executivo extrajudicial. Sem isso, cobrar uma dívida reconhecida em contrato pode exigir um processo de conhecimento inteiro antes da execução.

Corrigir qualquer um desses pontos depois que o conflito começou custa múltiplas vezes o valor da elaboração. E em alguns casos não dá para corrigir, porque a outra parte não tem interesse nenhum em assinar aditivo que melhore a posição de quem ficou exposto.

Pontos essenciais a definir antes de iniciar a redação do contrato

O que precisa ser decidido antes de a redação começar

Quando alguém pergunta o prazo de um contrato, a resposta depende sobretudo de quantos itens da lista abaixo já têm resposta. Cada linha sem definição é uma conversa a mais.

  • Objeto. O que exatamente será entregue, em qual formato, com qual quantidade e em qual periodicidade. “Gestão de redes sociais” não é objeto, é categoria.
  • Preço e reajuste. Valor, forma de pagamento, o que acontece em caso de atraso, índice e periodicidade de reajuste em contratos de duração.
  • Prazo e renovação. Vigência, se há renovação automática, qual o aviso prévio para não renovar.
  • Propriedade intelectual. Quem fica com o material produzido, se há licença ou cessão, se o uso é exclusivo, por quanto tempo e em quais territórios e mídias.
  • Dados pessoais. Quais dados circulam entre as partes, quem é controlador, quem é operador, o que acontece com a base ao fim do contrato.
  • Confidencialidade. O que é informação sigilosa, por quanto tempo a obrigação sobrevive ao término, qual a consequência do vazamento.
  • Responsabilidade. Se há limite de indenização, o que fica excluído, quem responde por reclamação de terceiro.
  • Rescisão. Hipóteses de término imediato, multa, tratamento do que já foi executado e do que já foi pago.
  • Resolução de conflito. Foro ou arbitragem, e se existe etapa prévia de negociação obrigatória.

Contratos entre empresas de porte semelhante têm liberdade grande de negociação, e o Código Civil reconhece isso ao tratar do contrato civil e empresarial paritário, com intervenção mínima e prevalência do que as partes acordaram. Já quando a relação é de consumo, o Código de Defesa do Consumidor limita cláusulas que transferem risco ao consumidor e exige que ele tenha conhecimento prévio do conteúdo. Saber em qual dos dois cenários o contrato vive muda a redação inteira, e essa também é uma decisão que precisa ser tomada antes da primeira linha.

Cronograma por etapas da elaboração à assinatura do contrato

Como o prazo se organiza, etapa por etapa

Um fluxo previsível de elaboração tem cinco momentos. Saber onde o documento está em cada um deles evita a ansiedade de achar que nada está acontecendo.

  1. Briefing. Reunião de diagnóstico e envio de material: proposta comercial, contratos anteriores, e-mails de negociação, descrição do fluxo de trabalho. Duração de um a três dias, quase sempre dependente da velocidade do cliente.
  2. Definição de premissas. Um documento curto listando as decisões de negócio que o contrato vai refletir, enviado para validação antes da redação. Um dia. Essa etapa parece burocracia e é o que mais economiza tempo depois.
  3. Redação da minuta. De dois a dez dias úteis conforme a complexidade da tabela acima.
  4. Rodada de ajustes. Comentários do cliente e ajuste da versão. Uma ou duas rodadas costumam estar dentro do escopo de um trabalho contratado. Duração de dois a cinco dias.
  5. Negociação e assinatura. Envio à outra parte, tratamento de contraproposta, versão final e coleta de assinaturas. Prazo aberto, porque depende de terceiro.

Quando o cliente já tem material organizado, as etapas 1 e 2 caem pela metade. Empresas que trabalham com acompanhamento jurídico recorrente chegam na etapa 3 quase direto, porque o escritório já conhece o modelo de negócio e não precisa reconstruir o contexto a cada demanda.

Quando o modelo pronto é suficiente

Nem toda operação precisa de contrato sob medida, e fingir o contrário é vender serviço desnecessário. Modelo padronizado funciona bem quando o valor envolvido é baixo, a relação é curta, o serviço é repetitivo e não há criação de conteúdo nem circulação relevante de dados. Freelancer que faz uma edição de vídeo por trezentos reais não precisa de um instrumento de vinte páginas.

O modelo deixa de servir a partir do momento em que aparece qualquer um destes elementos: receita recorrente, exclusividade, material criativo que vai ser usado em anúncio, base de clientes compartilhada, participação em resultado, promessa de desempenho ou relação que envolve mais de duas partes. Nessas hipóteses, o texto padrão sempre descreve outro negócio, e a diferença só aparece quando alguém quer sair.

Um caminho intermediário que funciona bem para empresas com volume alto de contratação é montar um contrato base sob medida uma única vez, com anexo de escopo variável por projeto. O trabalho pesado acontece uma vez, leva de duas a três semanas, e cada novo cliente passa a consumir apenas o preenchimento do anexo. Agências, produtoras e empresas de software costumam economizar meses de jurídico com essa estrutura.

O que faz o prazo estourar

Vale separar os atrasos em dois grupos, porque cada um tem uma solução diferente.

Do lado do cliente, os travamentos mais comuns são material incompleto, decisão de negócio pendente entre sócios, mudança de escopo no meio da redação e demora para revisar a minuta enviada. Nenhum desses é falha de organização grave, mas todos custam dias. Um contrato parado esperando os sócios combinarem a divisão de receita não é problema jurídico, é problema societário fantasiado de prazo.

Do lado do escritório, o que atrasa é falta de agenda, escopo mal orçado e ausência de processo. Isso se previne na contratação, exigindo prazo escrito na proposta, quantidade de rodadas de revisão incluídas e canal definido para acompanhamento. Proposta que não traz prazo é proposta incompleta.

Contrato urgente: o que dá para fazer

Existe urgência legítima. A rodada fecha na sexta, o influenciador grava na segunda, a campanha entra no ar amanhã. Nesses casos, há três saídas honestas.

A primeira é priorizar o essencial em um documento curto e assinar o restante depois. Um instrumento de duas páginas que resolve escopo, preço, prazo, propriedade intelectual e confidencialidade cobre a maior parte do risco imediato e pode ser substituído por um contrato completo em seguida.

A segunda é usar carta de intenções ou memorando com efeito vinculante limitado, deixando claro o que já obriga e o que ainda depende do contrato definitivo. O erro clássico aqui é assinar um documento “só para começar” que na verdade obriga em tudo.

A terceira é revisar o contrato que a outra parte apresentou em vez de escrever um do zero. Revisão bem feita de um documento de terceiro leva de um a três dias e resolve situações em que o poder de negociação é assimétrico, como acontece quando uma agência recebe o contrato padrão de uma grande marca.

O que não é saída honesta é entregar em um dia um documento complexo sem conversar com o cliente. Prazo curto se compensa reduzindo escopo, não pulando etapa.

Assinatura e formalização não são o fim do prazo

Depois da versão final ainda existe um tempo de formalização que costuma ser subestimado.

Assinatura eletrônica resolve a maior parte dos casos. A MP 2.200-2/2001 criou a ICP-Brasil e a Lei 14.063/2020 organizou os níveis de assinatura eletrônica em simples, avançada e qualificada. Para contrato empresarial entre partes que se conhecem, plataforma com trilha de auditoria e comprovação de autoria costuma ser suficiente. Quanto maior o valor e o risco de contestação, mais faz sentido subir o nível da assinatura.

Alguns documentos exigem passos adicionais. Cessão de marca precisa de averbação no INPI para produzir efeito perante terceiros. Alteração de contrato social passa pela Junta Comercial. Contrato que envolve imóvel segue a forma exigida pelo Código Civil. Nesses casos o prazo de elaboração é apenas a primeira metade do calendário.

Como o escritório trabalha o prazo

A proposta enviada ao cliente traz o prazo de entrega da primeira minuta, a quantidade de rodadas de revisão incluídas e o que fica fora do escopo. Isso é combinado antes de qualquer valor ser cobrado, porque prazo indefinido é a principal fonte de atrito em serviço jurídico, do mesmo jeito que é em serviço de agência.

Contratos de estruturas mais delicadas, como coprodução de infoproduto e licenciamento de software, recebem uma etapa extra de validação de premissas antes da redação, justamente porque são os documentos em que uma decisão de negócio mal resolvida gera mais retrabalho. Documentos públicos de plataforma, como termos de uso e política de privacidade, dependem do mapeamento de dados e por isso têm prazo próprio, e o mesmo vale para contratos de SaaS, em que o nível de serviço prometido precisa ser confirmado com quem opera a infraestrutura.

Como acelerar sem perder qualidade

Existem coisas que dependem só do cliente e reduzem o prazo de forma consistente:

  • Enviar a proposta comercial junto com o pedido. É nela que estão as promessas que viram obrigação.
  • Mandar o contrato antigo, mesmo que seja ruim. Serve para mostrar o que já foi combinado com outros clientes.
  • Fechar internamente as decisões de negócio antes de acionar o jurídico. Preço, prazo, o que entra e o que não entra.
  • Indicar uma única pessoa responsável pela revisão do lado da empresa. Comentário de quatro pessoas diferentes em versões diferentes é a receita para duas semanas extras.
  • Avisar desde o início se existe prazo externo, como data de campanha ou fechamento de rodada, para que o escopo seja calibrado à realidade.

Contrato bom não é o que demora mais nem o que sai mais rápido. É o que descreve com precisão o que as partes combinaram e o que acontece quando alguém não cumpre. O tempo necessário para isso varia com o quanto de decisão ainda falta ser tomada, tema que aparece do mesmo jeito em contratos com influenciadores e em acordos entre sócios.

Perguntas frequentes

Dá para fazer um contrato em 24 horas?

Dá, se o escopo for simples e as decisões de negócio já estiverem tomadas. Para estruturas com propriedade intelectual, divisão de receita ou dados sensíveis, o caminho honesto é entregar um instrumento curto que cubra o essencial agora e completar o documento em seguida.

Por que dois escritórios dão prazos tão diferentes para o mesmo contrato?

Porque estão orçando trabalhos diferentes. Um prazo curto costuma corresponder a adaptação de modelo, e um prazo maior a documento construído a partir do seu negócio, com etapa de diagnóstico e rodadas de revisão incluídas. Vale comparar o que está descrito na proposta, não apenas o número de dias.

O prazo inclui a negociação com a outra parte?

Normalmente não. O prazo de elaboração vai até a entrega da minuta ajustada. A negociação depende do tempo de resposta de terceiro e costuma ser tratada como etapa separada, com escopo próprio na proposta.

Revisar um contrato existente é mais rápido que escrever do zero?

Em geral sim, entre um e três dias úteis para documentos de complexidade média. A exceção é quando o contrato recebido está tão desalinhado com o negócio que reescrever sai mais rápido e mais seguro do que emendar.

Preciso de testemunhas no contrato?

Não é requisito de validade, mas faz diferença na hora de cobrar. O documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas é tratado pelo Código de Processo Civil como título executivo extrajudicial, o que permite partir direto para a execução em vez de discutir a dívida em processo próprio.

Próximo passo

Se você precisa de um contrato e não sabe qual prazo é realista para o seu caso, descrever o modelo de negócio em poucas linhas já permite uma estimativa de escopo e calendário. Fale com o escritório pelo WhatsApp e conte o que precisa ser assinado e quando.

Este conteúdo é informativo e não substitui análise jurídica individual. Prazos, cláusulas e formalidades dependem do tipo de contrato, das partes envolvidas, do valor da operação e da legislação aplicável ao caso concreto.


Sobre o autor: Diego Castro é advogado inscrito na OAB/PI sob o número 15.613, especialista em Direito Digital, LGPD e contratos para empresas de tecnologia. Fundou o escritório Diego Castro Advogado em 2017, com atuação nacional e bases em Teresina e São Paulo.

IMPORTANTE: O Artigo acima foi escrito e revisado por nossos advogados. Ele tem função apenas informativa, e deve servir apenas como base de conhecimento. Sempre consulte um advogado para analisar seu caso concreto.

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