Coleta de dados por Data Broker e a LGPD

Você sabe o que são Data Brokers e o que eles fazem com os seus dados? Confira o artigo abaixo, atualizado por advogados especialistas, para entender de forma clara a respeito desses agentes de informação e como a LGPD regula essa atividade comercial de coleta e venda de dados pessoais no Brasil.

No cenário tecnológico moderno, a informação pessoal transformou-se no ativo mais valioso do mercado corporativo. Diariamente, ao navegar pela internet, realizar compras ou baixar aplicativos, uma imensa quantidade de dados é gerada e registrada pelas empresas. Contudo, a maioria dos usuários não sabe que por trás desse ecossistema digital atuam corporações conhecidas como Data Brokers, cujo modelo de negócios baseia-se na coleta e comercialização dessas informações sem que o titular perceba.

A entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) trouxe regras rígidas para esse setor. A legislação brasileira passou a impor limites claros à coleta sem consentimento e a exigir que todas as fases de processamento de informações pessoais sigam princípios de transparência, necessidade e segurança, visando a preservação da privacidade e a prevenção de abusos de mercado comercial.

O que são os Data Brokers?

Os Data Brokers são empresas especializadas em compilar informações de diversas fontes públicas e privadas, tratá-las e vendê-las a terceiros. Eles operam de forma discreta na rede, consolidando registros de navegação virtual, hábitos de consumo físicos, históricos de crédito financeiro e até processos judiciais públicos de milhões de pessoas.

O que são data brokers e como operam na internet

Diferentemente de uma empresa comum que armazena dados de seus próprios clientes para melhorar seus serviços, essas companhias operam de forma indireta. Elas não possuem uma relação comercial direta com o titular do dado. Em vez disso, compram, alugam ou coletam informações de outras plataformas para criar perfis substituíveis detalhados, que depois são vendidos para fins publicitários e comerciais.

Como funciona a Coleta de Dados de um Data Broker?

A captura de informações por corretores de dados ocorre por meio de rastreadores digitais e parcerias comerciais. Cada ação realizada no ambiente digital deixa um rastro que alimenta esses bancos de dados.

Como funciona a coleta de dados e o rastreamento digital

Coleta de dados por meio de cadastros

Muitas vezes, ao preencher cadastros em lojas físicas para obter descontos fornecendo CPF, número de telefone e endereço de e-mail, o consumidor está alimentando bancos de dados de parceiros comerciais. Essas informações básicas servem como chaves de identificação cruzadas para associar o comportamento físico às contas virtuais.

Coleta de dados por distribuição de materiais gratuitos

A oferta de e-books, planilhas e infográficos gratuitos é uma estratégia comum de captação de leads. Ao preencher os campos exigidos para baixar o material, os usuários disponibilizam dados profissionais e pessoais que podem ser compartilhados ou vendidos a outras empresas de marketing digital.

Coleta de dados por aceite de cookies

Os cookies de rastreamento de terceiros registram as páginas visitadas, o tempo de permanência em cada site e as pesquisas realizadas. Ao aceitar as janelas de cookies nos navegadores sem ler as políticas internas, o internauta autoriza o compartilhamento dessas informações com redes de publicidade.

Coleta de dados por meio de jogos e aplicativos

Jogos e aplicativos gratuitos para smartphones frequentemente exigem permissões de acesso à localização, lista de contatos e câmera. Esses registros são processados em tempo real e podem ser compartilhados com Data Brokers para geolocalização e direcionamento de anúncios.

Como os Data Brokers ganham dinheiro?

O faturamento dessas empresas vem da comercialização de pacotes de dados categorizados. Em vez de vender informações isoladas, os corretores de dados agrupam perfis de usuários com características comuns, como interesses de consumo, faixas de renda e condições de saúde.

Esses perfis segmentados têm alto valor de mercado porque permitem que anunciantes façam campanhas direcionadas com maior precisão. Uma instituição de ensino, por exemplo, pode comprar listas de perfis com interesse em desenvolvimento profissional para ofertar cursos de pós-graduação.

A venda de dados e os principais compradores

O mercado de corretores de dados atende a clientes variados que compram essas informações para diferentes propósitos:

  • Anunciantes e Agências de Publicidade: Compram perfis de comportamento e de interesse para direcionar anúncios na web.
  • Instituições Financeiras e de Crédito: Utilizam dados cadastrais e históricos de compra para avaliar riscos de crédito e prevenir fraudes comerciais.
  • Seguradoras: Analisam dados de estilo de vida e de comportamento para calcular o valor de apólices e riscos.
  • Empresas de Recrutamento: Buscam históricos profissionais e perfis públicos para triagem de candidatos a vagas de emprego.

Como os Data Brokers continuam trabalhando com a LGPD?

Sob a Lei nº 13.709/2018 (LGPD), todo tratamento de dados pessoais no Brasil deve ser fundamentado em uma das dez bases legais previstas na legislação. Para os Data Brokers, manter a operação legalizada exige um esforço complexo de adequação contratual e técnica.

As duas bases legais mais utilizadas por essas companhias são o Consentimento (Artigo 7º, I) e o Legítimo Interesse (Artigo 7º, IX). No entanto, o consentimento exige uma manifestação livre, informada e inequívoca do titular, o que se torna difícil quando os dados são compartilhados sucessivamente entre empresas parceiras de forma contínua.

Para tentar validar essa operação, muitas empresas incluem cláusulas de autorização de compartilhamento em suas Políticas de Privacidade e nos Termos de Uso. Todavia, a transparência e a facilidade de revogação desse consentimento devem ser sempre asseguradas ao titular.

Muitas empresas também justificam o tratamento com base no legítimo interesse do controlador. Contudo, essa base legal exige uma análise de proporcionalidade para garantir que os direitos e liberdades fundamentais do titular não sejam desrespeitados.

“O legítimo interesse não é um salvo-conduto ou uma carta em branco para a comercialização irrestrita de dados pessoais. A lei exige que haja uma expectativa legítima do titular e que seus direitos fundamentais sejam rigorosamente preservados em qualquer operação comercial.”

Diego Castro, advogado especialista em Direito Digital e LGPD

Se a sua empresa realiza coleta de dados de usuários, é fundamental entender como redigir uma Política de Privacidade adequada e em total conformidade com a legislação para mitigar riscos de processos administrativos.

Principais tipos de Data Brokers

Os principais tipos de data brokers e servidores de dados

Os corretores de dados dividem-se em categorias específicas de acordo com a natureza das informações que comercializam no mercado:

Categoria Dados Coletados Uso Principal Impacto na LGPD
Financeiro/Crédito Renda, dívidas, pagamentos, score de crédito. Análise de crédito e prevenção a fraudes. Alto (exige exatidão e direito à contestação).
Marketing/Publicidade Histórico de busca, cliques, compras, redes sociais. Direcionamento de anúncios comportamentais. Alto (foco em cookies de rastreamento).
Saúde/Bem-estar Histórico médico, compras em farmácias, uso de apps fitness. Definição de apólices e produtos de saúde. Crítico (trata dados pessoais sensíveis).
Pesquisa de Pessoas Registros públicos, endereços, telefones, processos. Verificação de antecedentes e localização. Alto (risco de exposição de dados públicos).

O perigo da existência de Data Brokers

A atividade de corretores de dados apresenta riscos severos à segurança da informação. O principal perigo reside no vazamento de bancos de dados massivos, que deixam expostos dados confidenciais de milhões de cidadãos, facilitando golpes como extorsão financeira, roubo de identidade e fraudes em plataformas de mensagens.

O uso excessivo de técnicas de rastreamento pode comprometer a autodeterminação informativa do usuário. Um exemplo conhecido no mercado nacional envolveu a Serasa Experian, que enfrentou questionamentos legais sobre a venda de informações cadastrais sem consentimento expresso dos titulares das informações.

Casos internacionais, como o compartilhamento inadequado de perfis pelo Facebook para a consultoria Cambridge Analytica, e investigações policiais no Brasil contra a venda ilegal de dados de contas de WhatsApp em Goiás demonstram a gravidade das violações à privacidade.

Além da perda de controle sobre a privacidade, a venda de informações pode gerar discriminação velada, como a recusa de planos de saúde ou de crédito com base em perfis coletados sem transparência. Para mitigar riscos e adequar operações empresariais, é aconselhável contratar um advogado especialista em LGPD para auditar os fluxos de dados.

É crucial diferenciar também entre processos de anonimização e pseudonimização de dados, técnicas recomendadas pela lei para assegurar a conformidade operacional de bancos de dados.

Dúvidas Frequentes:

Dúvidas frequentes sobre a LGPD e privacidade de dados

Qualquer pessoa pode solicitar a exclusão de seus dados de um Data Broker?

Sim. O Artigo 18 da LGPD assegura ao titular o direito de solicitar a confirmação do tratamento, o acesso aos dados e a eliminação de informações tratadas de forma irregular. Para isso, o titular deve entrar em contato direto com o canal de atendimento da empresa.

Qual a punição para o Data Broker que viola a LGPD?

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) pode aplicar sanções administrativas que variam de advertências simples a multas de até 2% do faturamento da empresa, limitadas a R$ 50 milhões por infração. A empresa também pode ser obrigada a bloquear ou eliminar a base de dados irregular.

O uso de cookies de rastreamento é legalizado no Brasil?

O uso de cookies de rastreamento só é considerado regular se o site informar de forma clara a finalidade de cada cookie e obtiver o consentimento do usuário antes do início do rastreamento. O usuário também deve ter a opção de rejeitar cookies não essenciais sem prejuízo ao acesso.

Como posso descobrir se meus dados estão com um Data Broker?

Geralmente, essas empresas mantêm canais de privacidade ou portais de titulares em seus sites. O usuário pode fazer uma solicitação formal de acesso aos dados para confirmar quais informações a empresa possui e exigir a exclusão imediata caso não haja base legal válida para o armazenamento.

IMPORTANTE: O Artigo acima foi escrito e revisado por nossos advogados. Ele tem função apenas informativa e deve servir como base de conhecimento geral. Sempre consulte um advogado especializado para analisar seu caso concreto.

IMPORTANTE: O Artigo acima foi escrito e revisado por nossos advogados. Ele tem função apenas informativa, e deve servir apenas como base de conhecimento. Sempre consulte um advogado para analisar seu caso concreto.

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